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09/11/2004 10:29
1) Somos enganados porque olhamos a superfície das coisas. Supomos não ser muito piores do que Y, que todos reconhecem como um indivíduo decente, e certamente (embora não devamos anunciá-lo em voz alta) melhores do que o abominável X. Mesmo num nível superficial estamos provavelmente enganados quanto a isto. Não esteja tão certo de que seus amigos o consideram tão bom quanto Y, O próprio fato de você tê-lo escolhido para comparação é suspeitoso: ele está provavelmente muito acima de você e seu círculo. Mas, suponhamos que tanto Y como você não pareçam "maus". Até que ponto o comportamento de Y é enganoso é assunto entre ele e Deus. A fachada dele pode não ser falsa, mas você sabe que a sua é. Isto lhe parece um simples artifício, porque eu poderia dizer o mesmo a Y e a cada homem por sua vez? Mas é justamente esse o ponto. Todo homem, que não é muito santo nem muito arrogante, tem de "conformar-se" à aparência exterior de outros homens: ele sabe que existe em seu íntimo algo que está muito abaixo até mesmo de seu mais casual comportamento em público, mesmo sua conversa mais livre. Naquele instante enquanto seu amigo hesita procurando uma palavra, quais os pensamentos que passam pela sua mente? Jamais falamos toda a verdade. Podemos confessar fatos pouco atraentes a covardia mais baixa ou a impureza mais vil e mais prosaica mas o tom é falso. O próprio ato de confessar um olhar hipócrita infinitamente pequeno uma pitada de humor tudo isto contribui para dissociar os fatos do seu próprio "eu".
Ninguém poderia adivinhar quão familiares e, num certo sentido, apropriadas à sua alma essas coisas são, como elas fazem parte do resto: bem no fundo, no calor de seu íntimo, elas não fazem soar uma nota tão discordante, não parecem tão estranhas e desligadas do restante de você, como aparentam quando colocadas em palavras. Subentendemos e com freqüência cremos que vícios habituais são atos únicos e excepcionais, e cometemos o erro oposto em relação às nossas virtudes como o mau jogador de tênis que chama sua forma normal de seus "maus dias" e considera como normais seus raros sucessos. Não penso que seja nossa falta o fato de não podermos dizer a verdade a respeito de nós mesmos; o murmúrio persistente e íntimo, em todo o decorrer de nossa vida, causado pelo despeito, pela inveja, pela lascívia, pela cobiça e pela auto-complascência, simplesmente não se revela em palavras. Mas o importante é que não devemos considerar nossos pronunciamentos inevitavelmente limitados como um registro completo do pior que temos dentro de nós...
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É por isso que ele é meu preferido!!!!
enviada por ZE WAS HERE
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